Casa do Pinheiro

Casa do Pinheiro é uma casa do século XVIII no centro do Porto, renovada recentemente com técnicas de construção tradicionais. Os irmãos Bernardo e Francisca Amaral, que também vivem no edifício, são arquitetos. Além dos dois apartamentos, a Casa do Pinheiro também oferece serviços de visitas guiadas. Facebook

Onde: Rua do Pinheiro 71 3º frente

14/10 quarta-feira

18:00-20:00 – “Panquecas Civilizadas”, performance de Lizi Menezes

A Performance Panquecas civilizadas

“A prática: em uma sala estará sendo projetado animações com signos que sugerem violência contra o corpo. Participam duas performers, a Helena Ferreira e a Lizi Menezes. A sala deverá estar fechada e trancada assim que entrar todas as pessoas que quiserem participar. E só é aberta quando alguém tiver alguma atitude de parar tudo ou querer sair, e se isso não acontecer acaba quando terminar as massas de panquecas. * esta performance já foi apresentada em espaço aberto com grande projeção na rua, ou seja, existe tranquilamente a possibilidade de relaciona-la de acordo com o espaço cedido pelo festival.

A Helena estará com o corpo nu pintado de branco, sugerindo ser um dos manequins que aparece no vídeo. A Lizi recheia e enrola as panquecas fazendo formas fálicas, repetindo constantemente a mesma atividade (recheia e enrola) o que sugere a produção em serie assim como a atividade da Helena que é servir o público que aceita ou não as panquecas. As imagens são projetadas sobre o corpo das performers, sobre as panquecas, sobre as atividades que se passa diante do observador que participa da performance ativamente quando recebe as panquecas, quando segura, quando tenta manter diálogo com a performer que serve, quando consome. A invasão no espaço do observador ( que é materializada quando a performer sai da postura de objeto do olhar para tornar-se também ”voyeur” ) procura denunciar, através da repetição, insistência (vai e volta) a exaustão de todos os corpos que são padronizados pelo movimento que é a fonte dessa produção.

A relação da violência não é só com a produção das panquecas mas também com o tempo de duração da performance que inclui tudo o que se passa dentro deste espaço. É mais a ideia de movimento, ação e tempo que relaciona-se com a violência do que propriamente com as panquecas. As panquecas é o objeto apresentado de forma irónica para ser desmaterializado. Poderia ser qualquer outra comida, mas pensei em utilizar as panquecas pela forma fálica, pela possibilidade de trabalhar com recheios diferentes respeitando o gosto de cada participante. É tudo separado, o que também faz parte das sequências no tomar cuidado para não misturar carne e vegetal. Eu levo as massas prontas e ficam sobre a mesa uma pilha de massa de panquecas. As que não são comidas a gente distribui. A panqueca é mais fácil de não estragar, de congelar e para distribuir. A massa é duradoura e bem simples, sem ovo e posso fazer com água ou leite. Alem de também fazer relação a palavra “civilizada” com operários, industrias, produção em massa, consumo e muito mais. É um prato tipo americano e a receita que faço é a Panqueca americana brasileira.

A violência domestica é o tema central desta performance, tento não classificar como uma prática, um tipo de violência, pois é bastante complexa e divergente…procuro trabalhar as narrativas que produzem as violências tanto físicas como psicológicas e que passa despercebido ou é negligenciada pelos corpos que assistem ou sofrem a violência. Essa negligencia neutraliza o criminoso. E somos tod@s negligentes em muitos momentos da vida”

Lizi Menezes

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